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domingo, 8 de fevereiro de 2015

TEXTO: EU TENHO! e VOCÊ? - MARAH MENDS


Eu tenho! E você?

Por estes dias, assim sem mais nem menos, em um lampejar saudosista, quiçá... lembrei-me das aulas de sociologia da professora Suzana. Época de faculdade, Comunicação Social, entre 2006 e 2010, ô tempinho difícil! Mas isso não diz respeito a professora Suzana. Quero relatar que a maneira como a professora explicava e exemplificava a matéria era de fato interessante e produtivo, ao meu ver. Minha sala era famosa por ser a mais “faladeira” do período, muitos professores diziam isso, (aliás... na época da escola, a sala onde estudava também tinha essa fama, acho que criou-se uma sina, sei lá) mas... voltando às aulas da professora Suzana, dizia que àquelas explicações, faziam e fazem um grande sentido para mim, por abordar temas sobre organização e funcionamento da sociedade, convívio entre pessoas e grupos, enfim. Muitos alunos achavam a matéria maçante, difícil à beça para tirar nota boa, mas é exatamente aí que entra o poder de persuasão e talento de um professor. Passaram alguns anos e aquele questionamento da professora Suzana ainda pulula em minha irrequieta mente. Ela disse:

- O adulto é uma criança grande! Vocês se lembram daquele comercial que dizia: “Eu tenho, você não tem”. “Eu tenho, você não tem”. - e imitou o garoto propaganda - Lembram?

O comercial do qual a professora relatou é da década de 90, onde uma criança segurava uma tesoura do Mickey orgulhando-se veemente por ter algo que ninguém tinha: A tesoura! Continuou:

- Certos adultos, também são assim! – disse Suzana - Ele quer ter o melhor carro para mostrar para o seu vizinho que “ele tem, você não tem”. Ele quer ter a melhor casa para mostrar para os outros “eu tenho, você não tem”. Como o garotinho da tesoura...

Parei. Pensei. Claro que tudo isso é muito relativo, mas...

Um exemplo tão simples que trouxe-me um olhar mais analítico sobre a cultura da ostentação, sociedade e consumo, a influência da publicidade sobre as pessoas, etc, etc, etc.

Lembre-me desta explicação, pois vejo constantemente práticas deste simples exemplo dado pela professora em pessoas da família, colegas de trabalho, na rua, nos lugares aonde observo comportamentos...

Louco isso, mano!

Eu tenho... e você, tem alguma história sobre a influência do professor em seu dia-a-dia?

Conta pra gente!

(Resenha de Marah Mends, autora do livro Amarguras de uma paixão e proponente do projeto sociocultural Poesia é da hora).