sexta-feira, 23 de agosto de 2019

Relações Arbitrárias - Marah Mends (Características das personas)

Keyah:

Afro-nômade. Nasceu em Luanda, na Angola, mas por conta do trabalho da mãe, uma diplomata senegalense, morou também em Abuja, Nigéria e Cidade do Cabo, África do Sul. Tem laços afetivos intensos com seus pais e desde pequena sempre foi muito independente e desconstruída. Aos nove anos acontece uma grande virada em sua vida quando começa seu curso de medicina em uma das melhores universidades da Cidade do Cabo. Trabalha na instituição Médicos Sem Fronteiras, atua em diversos países africanos em missão e torna-se uma das dez jovens mais influentes da África. É descolada, adora diversão, esportes radicais, adepta ao poliamor. Sonha em conhecer o Brasil e por conta de uma missão dos M.S.F, muda-se da Cidade do Cabo para São Paulo e o destino a faz conhecer pessoas que mudam completamente o rumo da sua vida.

Esdras:

Paulistano, descende de família conservadora cristã, filho de um dos cartunistas mais famosos do país. Nunca passou por dificuldades financeiras e desde menino sofre com bullying e baixa autoestima. Quase não tem amigos, aliás, tem só um amigo, Alexis. Vive sob as rédias dos pais conservadores e ausentes, mesmo depois de adulto. Formou-se em musicoterapia. Tem gostos peculiares. Prefere a solidão a ter que se relacionar com pessoas. Odeia bichos. Gosta de rotinas. É extremamente tímido. Bipolar.

Mafaune:

Nova-triunfense. Nova Triunfo, Bahia, é uma das cidades mais pobre do Brasil. Vida sofrida, família desintegrada, ódios e traumas acumulados. É marrenta à beça, pratica artes marciais mistas, gosta de esportes radicais, tem o passado obscuro, odeia falar sobre questões pessoais, odeia gente, especialmente as intrometidas. Extremamente inteligente e estrategista, prefere os bichos do que os humanos. É leal aos seus princípios. Professora de Sociologia da rede pública de ensino. Seu filho tem uma doença degenerativa e precisa andar de cadeira de rodas.

Alexis:

Arujaense, família fragmentada, tem um caráter duvidoso, é fera em tecnologia da informação, violou o código penal inúmeras vezes. É folgado, espaçoso e mora longe. Extremamente inteligente e estrategista. Dissimulado.  Manipulador. Tóxico. Melhor amigo de Esdras.

quinta-feira, 22 de agosto de 2019

Sarau Poesia é da hora na Virada Sustentável - 2019


Relações Arbitrárias - Marah Mends



Relações Arbitrárias é um livro em prosa de ficção, com 13 capítulos e 178 páginas. Dá uma passeada em temáticas e sensações diversas como... assassinatos em série (o abre alas de cada capítulo é com uma frase de assassinos nesse naipe), tem relacionamento padrão, não-padrão e arbitrário, amizade como ato de amor, uma pá de gente é assassinada, enigmas, mistérios, teoria da relatividade como simbologia psicopática, suspense, neuras, masculinidade tóxica, sororidade, desigualdade, confusões, perseguições, porradas, beijos e filadaputices...

Capítulo 1.

Descreve a cena de um terceiro assassinato. Nem todo personagem tem nome. Nos primeiros capítulos, o livro não segue uma ordem cronológica, cuidado para não dar um nó no cérebro.

Capítulo 2.

Inquietações são jogadas no ventilador.

Capítulo 3.

Conta sobre a ascendência de um dos personagens.

Capítulo 4.

Conta sobre a ascendência de outra personagem, pois se faz necessário analisar o contexto histórico e psicológico de cada criatura envolvida nessas arbitrariedades.

Capítulo 5.

Conta o que o capítulo 2 não contou.

Capitulo 6.

Algumas máscaras sociais caem e acontece o primeiro assassinato brutal.

Capítulo 7.

É pautada outra trajetória familiar de outra persona. Depois, as cóleras de cada personagem. A segunda criatura é brutalmente assassinada. Toda vez que acontece um assassinato todxs são suspeitos. Uma segunda pessoa é assassinada também com os mesmos requintes de crueldade.

Capítulo 8.

Este capítulo conversa com o capítulo 1. A terceira vítima é encontrada.
  
Capítulo 9.

Investigações intensas e alguém muuuuuuito gente boa (pode/vai morrer). Matei ou não matei? Só pra constar, não tenho dó de matar os personagens não, viu (me xingaram muito no meu primeiro livro).

Capítulo 10.

Alguns pingos nos is são colocados, existe amor em SP, mas ainda há incômodos e mistérios.

Capítulo 11.

Alguns nervos ficam expostos e dentes são arrancados.

Capítulo 12.

O baguio fica louco e tem uma reviravolta...

Capítulo 13.

Talvez você sinta vontade de amar ou matar alguém.


Relações Arbitrárias - Marah Mends



O livro Relações Arbitrárias era pra ter saído entre março e abril de 2019. Pensa numa pessoa enrolada! Pensou? Pois é, eu sou o dobro e os motivos são taaaaaaantos! O livro ficou "pronto" no final de 2018. Levei quase um ano para escrevê-lo. Pronto, pronto, na verdade... sei lá, porque quanto mais releio, mais passo raiva (comigo) e mais quero mudar o que já foi consentido e desconsentido. Saca quando você se enrola nos seus próprios labirintos? Mas essa sensação foi com todos os livros e talvez, pouco mude ou nada mude daqui para frente. Há incômodos...

Dessa vez, encasquetei que queria participar do processo de diagramação e criação da capa. Nos trabalhos anteriores, outros parças cuidaram dessa parte para mim. Mas, bicho, fazendo uma autocrítica, ter terceiros para cuidar da capa e da diagramação é luxo demais pra quem escreve e publica de maneira independente. A gente precisa se qualificar nas ferramentas pra fazer com maior autonomia parte do corre, saca? Exceto a correção ortográfica, isso eu não me meto à besta...

Foi aí que a camarada Inês Santos e o camarada Toni Miotto entraram nesse processo. Foram dias e mais dias frequentando a casa deles (com brejas, vinhos, queijos e conspirações), mas também dias de troca de conhecimento, acolhimento, oficinas específicas pra tocar de forma autônoma a diagramação e capa dessa nova brisa. Foi meu primeiro trampo nesse naipe e se eu cagar muito, pelo menos vou cagar num trampo meu. E depois arco com as consequências... O conhecimento que me passaram vou repassar para que outrxs escritorxs (especialmente) da quebrada, possam ter mais autonomia mediante seus trabalhos. Calma... vou me organizar para isso! E só relembrando que sou beeeeem enrolada... 

Mas, sem mais delongas, esse post foi só para agradecer de coração a essa dupla finíssima que me apoiou neste novo trampo e também tem apoiado em tantas outras batalhas...  
Seguimos...

Relações Arbitrárias - Marah Mends


Relações Arbitrárias - Marah Mends


Eu senti minhas tetas doloridas, um cansaço físico, mental e emocional da porra, enjoei, passei noites em claro, conversei sozinha, me irritei comigo mesma, me irritei com palpites, me irritei com perguntas, me irritei com as personagens, tomei cachaça pra aliviar as neuras, tomei cerveja pra agradar o paladar e meu humor oscilou muito pro bem e pro mal (ainda tá oscilante. É oscilante). 

Tá pensando que é boi parir um livro, fi? É um trabalho do cão! Mas apesar de todos esses sintomas e hematomas, também fiz carinho na barriga, amei, fiquei boba e conversamos noites inteiras. Cada livro escrito é como um filhx sim... que não tem gênero (grande bosta) e é solto aí no mundão pra comunicar algo. Relações Arbitrárias é meu quinto fióte... 

Durante o promíscuo processo de concepção, essx filhx também teve o carinho acolhedor de muitas mulheres que também passaram a mão na minha barriga. E aprendi com cada uma delas, com seus dizeres, escritos, atitudes, lutas, pontos de vista, artes... só agradece essas  aliadas que estiveram comigo:

Kelly Nascimento: Fotografia.
Caróu Oliveira: Correção ortográfica.
Isabelle Miotto: Ilustração de capa
BrisaFlow: Texto de contracapa
Inês Santos & Va Cartonera (pelo acolhimento, vinhos, brejas, oficinas e conspirações. Vou falar de vocês depois...)

Apresento-lhes então o livro... Relações Arbitrárias, prosa de ficção, 178 páginas, Edições é da hora, um selo independente e clandestino, do jeito que a gente gosta! Já aceito convites pra lançar nos saraus de vocês a partir do mês que vem... (Ainda tô em trabalho de parto...)

Será lançado oficialmente em setembro (data a definir), na quebrada mais chavosa de Arujá, Parque Rodrigo Barreto. A mesma quebra das esquinas dos pancadão, das motos empinando, da polícia descendo o cacete em jogador de time de várzea, dos pipoco na madruga, do olho por olho e dente por dente, da pizza de 10 conto, do vapor barato, dos amigos de infância presos ou assassinados, das minas que engravidaram aos 13 e de uma geração que lia bem sussa Eu, Christine F, 13 anos Drogada e Prostituída. A mesma quebra que cresci, me desenvolvi, aprendi a respeitar e ser respeitada, aprendi a defender e me defender, correr por mim e pelos meus e pelos nossos. Essa mesma quebra de gente de luta, filhxs da luta e que vou apresentar meu quinto filho pra ela... Claro que vai ser bonita essa festa, carai! 
Em breve, maiores detalhes...

Contracapa: Brisa De La Cordillera

Keyah, uma médica luandense, de passagem pela cidade de Arujá, começa se relacionar com Esdras, filho de um cartunista famoso. Mulheres começam ser encontradas mortas com marcas e sinais em seus corpos. Keyah conta com a sororidade de sua amiga Mafuane, que começa a ficar preocupada se sua parceira se tornará a próxima vítima. Surpresas tensões fazem duas mulheres negras se unirem para salvar suas vidas e desvendarem os assassinatos. Uma história fictícia com altas doses de realidade e ao mesmo tempo inspiradora sobre narrativas de  sobrevivências em um país  com inúmeros casos de feminicídios.

quarta-feira, 14 de agosto de 2019

Pontas cônicas - Marah Mends


Pontas cônicas.

Faça um objeto com sombra, pediram. Sem lampejo, olhou para o papel vazio e não houve a conexão. Era um dia de sol, mas no âmago chovia. Pensou em desenhar um reflexo sem o objeto, mas se ilustrar só o reflexo de que plano foi prospectado esse ato criador? Tudo precisa mesmo fazer sentido? As experiências lúdicas são tão ricas! Hoje mesmo lembrou da palhaça de dentro do metrô. Ela sorria de cara pintada, nariz vermelho e roupa colorida. Como consegue armar um sorriso daquele às seis e meia da manhã, em pé, apertada no vagão do metrô? A palhaça espirrou. Atchimmmmm! Silêncio! Eu, hein, gente esquisita! Cê espirra e ninguém fala saúde! A palhaça não é boba, ela confronta, ressignifica o ambiente com seu sorriso impávido colosso e a gente... sente? Ela era atrevida, passava entre as pessoas automáticas e perguntava: Ei, você é feliz? Você está feliz? Você é feliz assim? Ninguém respondia. Será que essa tática de humanizar o processo funciona com pessoas dessa década? O público estava cansado e indiferente demais para responder questões tão filosóficas que exigem alguma porcentagem de reflexão. Compenetrados demais nas mensagens do smartphone que do corpo é extensão.
Piiiiiiiiiiiiiiiii. Metrô Sé... desembarque pelo lado esquerdo do trem. Foi assim que a palhaça deu um tchau, mandou beijos pelo ar e saltitante saiu.
Será que alguém reparou que os olhos castanho-escuros da palhaça estavam tristes? Daria um desenho...

segunda-feira, 12 de agosto de 2019

Boletim Poesia é da hora com texto poético de Diax - Atiradora da Poesia


Salvê...
Domingo teeeeeeem boletim Poesia é da hora, na rádio Cantareira Fm, programa Meu Caro Amigo. E vem pesadão dão dão com o texto poético da Diax - Atiradora da poesia, mana firmeza de A E Carvalho.

Acessa lá e bora ser feliz:

segunda-feira, 5 de agosto de 2019

09 anos de TV ArtMult Cultural


Sinóptico - Marah Mends


Sinóptico

Numa pausa para o café, mesmo em pé, refletiu sobre seus múltiplos papéis sociais. Para que assumir tantos papéis se temos uma vida tão curta? É possível a escolha de uma, duas, no máximo três funções e seguir?

O que é sucesso? O que está atrelado a ele? A custo do quê? Qual a diferença entre sucesso e sobrevivência? A impressão que tenho é que uma geração inteira é indiferente com a preciosidade de um tempo livre. Enchem-se de afazeres para nos dizeres soar com orgulho: Não tenho tempo! Ei, você observou que o céu mudou de cor? Não tenho tempo! Tá vendo aquele vaso ali? Brotou uma flor.. viu? Não tenho tempo!  Sua mãe em linguagem não-verbal te pediu um abraço e você... Que ocupação é essa? Ocupa... o quê?

Foi na pausa para o café que bugou. Bugou a ponto de não conseguir soletrar o próprio nome. Como me chamo mesmo? Pausas são importantes? Porque não sei se reparou, mas tem coágulos em suas mãos. Sua mente está estraçalhada e o pensamento migrado de outros cansaços ainda reproduz as orientações de fábrica.

Titubeou quando alguém removeu o hiato para o café. Hiatos são importantes? Dá pra pedir reembolso de hiatos? Era justamente no hiato para o café que surgiam as reflexões mais elucubrativas para além do êxito fabricado. Por sorte ou azar sobrou-lhe a baiuca. Ah, a baiuca! Heroína ecumênica de todas as bocas secas! Tinha até uma credencial baiuquiana, mas precisava guardar debaixo da blusa para cumprir outros papéis sociais que lhe ensinaram ser necessário para sobreviver.

Retornou os pensamentos nesse rol sintomático: ainda dá tempo de curar-se?

terça-feira, 23 de julho de 2019

Lançamento do livro: Quanto mais abaixa, mais aparece a bunda - Henrique Ramos


Salve, salve... Marca na agenda aeeee meu!

Dia 10 de agosto às 19h no Botedo dos Cardozos vai rolar o lançamento do primeiro livro do Henrique Ramos: Quanto mais abaixa, mais aparece a bunda. Chega mais pra trocar umas ideias com o autor, adquirir uns exemplares e participar desse momento tão da hora que é o lançamento de um livro autoral

Durante o evento vai rolar também o sarau Poesia é da hora com diversos convidadxs e um pocket show de responsa com Alex Uchoa.

Encosta no boteco que a noite vai ser linda!


segunda-feira, 22 de julho de 2019

Texto de Mari Pionório no boletim Poesia é da hora


Salve, salve...

Dominguera, dia 28/07  é dia de boletim Poesia é da hora na rádio mais maaaaassa da cidade! E a gente chega como? Com o texto poético da Mari Pinório, claro! E que texto, bicho!
Acessa o link da rádio pra ouvir também nossas dicas culturais, abraços poéticos e muito mais. Bora trocar?


Discrepâncias - Marah Mends


Discrepâncias
Entrou em descompasso com o passo vacilante que deu. Vacilar já tá no sangue é hereditária a vacilação em que se submeteu. Mesmo depois de reinterpretar significados e abrangências das lembranças e esquecimentos, as silhuetas das paisagens só comprovaram a ausência de discernimento. Quando tudo isso começou?
Tal como um advérbio de intensidade, acumulou mais e mais ambiguidades na superficialidade do caminho; tinha potencial criativo para isso. Sob o viés qualitativo é possível talhar versos de prestígio tendo seu semblante em constante estado pejorativo? Quem é que entrega a bolsinha da vacilação, afinal? E quem é que pega? Quem é que fornece? Quem é que reproduz? Quem é que tomba? Tem cor? Tem classe social?
Bocas desabotoadas em dias-noites de incêndio. Quando a notícia estourou um corpo foi encontrado na calçada, no relento, um nada no meio do nada. Vacilante fuzilou-se com apreço. Aonde estão os agentes da mudança quando se precisa de um acolhimento sem julgamento?
Legitimada, mais uma vez, a execução de quem vacila. O cidadão de bem reclamou, afinal, um corpo qualquer estirado no chão atrapalhou a sua caminhada matinal.

Marah Mends

domingo, 21 de julho de 2019

Mandacaru - Marah Mends


Mandacaru


Ficou igual a papel picado  quando enlaçou-se ao Mandacaru. Mandacaru é gente, planta, bicho, espírito e todo espinho que nasce, cresce e se desenvolve no imaginário inventivo. Espinho também é autodefesa, nem sempre, contra-ataque.
Deu duas esquerdadas à direita e topou com a predestinação. Parecia exótica e romanceada essa caminhada, mas era apenas memorialista, quase quase dizimada.
Há solidão entre os solidários? E entre Mandacarus?  E entre singularidades aparentemente alicerçadas? Há?
É experimental esse tateamento, assim como, tentar segurar o vento e torcer em vão para ele não escapulir entre os dedos. Sobrou o olhar de frustração. O olhar é tão sensorial... já viu almas só de olhar nos olhos. Quantos campos de complexidade as almas carregam e quantas correntes surrealistas a escorregar na pista lisa respingada de condão de sínteses?
Mandacaru é gente é planta é bicho é estado de espírito interpretável por gente simples, da roça, formadores de vínculos. 
As estruturas coisificadas mandachuvas de vidas nunca serão Mandacaru!  Por isso temem... querem tudo. A afetividade mútua carrega a chave de todos os risos e aprendizagens, mas as estruturas coisificantes vão dizer: afeto mútuo é indigesto, incerto, poético demais igual à erva daninha. Faz parte do projeto. Quem tem afeto mútuo escraviza? 
Alteraram a arquitetura do mundo e o estado é irreversível. Nem mandachuvas nem Mandacarus, nada sobreviverá. 

Marah Mends

Traçar a linha - Marah Mends



Traçar a linha

Há setenta metros do chão olhou para baixo. De imediato sentiu o vento gelado neutralizar as narinas... brrrr, frio da porra! Baforou nas mãos e de súbito lembrou da fumaça do cachimbo do avô. Engraçado memorar a fumaça, o cachimbo, o avô. Essa conexão neurológica faz sentido? Da boca, "fumaça" sai, mas por que evocou o cachimbo? 
A indisciplina transcorre nesse pensar que corre solto. Bastou concentrar-se no horizonte revolto para tornar perceptível a ausência da fumaça na boca e a presença das partículas condensadas a dançar boca a fora. São tão díspares no significado a fumaça e a partícula condensada! Uma é X a outra é Y e ambas carregam consigo a anatomia da poesia em movimento, balanço e ritmo.
Traçar a linha e cruzar com ela. Traçar a linha e olhar para ela. Traçar a linha e tropeçar nela. Traçar a linha e estar ao lado dela. Traçar a linha e estar dentro dela. Traçar a linha e ser traçada por ela.
Seja do chão ou do elevado, entre fumaças, partículas condensadas ou traços, a respostas é a mesma: existe uma sensação sublinhada no ar...

Marah Mends


Henrique Ramos vai lançar seu primeiro livro em agosto


Henrique Ramos, do coletivo Poesia é da hora, em breve lançará seu primeiro romance intitulado "Quanto mais abaixa, mais aparece a bunda". Em breve, maiores detalhes.

77ª edição do sarau Poesia é da hora - C.A Aparecida (Mooca)


Centro de Acolhida Aparecida
Mooca



Sabe quais foram as partes mais gostosas deste sarau? Quando a gente se abraçou! E quando a gente sorriu em cumplicidade! E quando a gente se permitiu aprender e trocar  entre nós. Quando a gente olhou nos olhos e viu aquele brilho que encanta, sinal que, naquele momento, a arte fez toda a diferença. São esses detalhes que nos move e nos alimenta a cada encontro. É por isso que estamos há mais de sete anos tocando esse sarau que é tão louco, tão único, tão bagunçado, mas cheio de afetividade, sabe.



Nessa edição realizada em um Centro de Acolhimento que abriga apenas mulheres e crianças,  tivemos a parceria de amigxs e queridxs do coletivo Poetas do Tietê (que na maioria das vezes está conosco nas trincheiras literárias). 
..


O Mano T, veio de Arujá e fez suas rimas, mandou um recado de responsa que veio direto das quebradas. Outro parceiro que esteve conosco também na Craco. 


Rolou um intercâmbio de dois poetas do Rio de Janeiro, o Thiago e o Don Juan, aliás, nos conhecemos durante a FLIP de 2018 e olha só que mundo pequeno, eles aqui. 




Toni Mioto, meu professor de softwares livres e a poeta Inês, sua companheira também marcaram presença. 

E as poetas da casa? Que lindeza ouvi-las na expressão da arte, com poesia, com música, com dança. As crianças deram um show todo especial para o sarau ficar ainda mais lindo! Que bom que conseguimos doação de livros infantis para complementar na leitura delas. 

Foi lindi! Foi massa! Só agradece!

No dia 10 de agosto a gente se vê novamente no lançamento do primeiro livro do camarada Henrique. Até lá.











sábado, 6 de julho de 2019

Poetas do Tietê e Mano T no sararau Poesia é da hora



Só pra constar que o Mano T e os Poetas do Tietê vão colar no sarau Poesia é da hora do dia 20/07 às 14h no C.A Aparecida. Vai ter umas rimas então...

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Dia 20 de julho, sabadão, vai rolar nosso septuagésimo sarau Poesia é da hora, no Centro de Acolhida Aparecida, bairro Alto da Mooca - SP. Este C.A abriga 150 mulheres e 70 crianças brasileiras e estrangeiras em situação de vulnerabilidade social. A ideia do sarau é interagir com arte, trocar, papear, abraçar, ouvir, falar, absorver, observar...
Nessa edição teremos a interação especial dos camaradas de longa data, o coletivo Poetas do Tietê e microfone aberto pra quem quiser chegar e participar das atividades. O sarau Poesia é da hora vai das 14h às 16h.
Organização: Poesia é da hora (Henrique Ramos, Marah Mends, Nicanor Jacinto.
Contato: poesiaedahora@gmail.com

quinta-feira, 4 de julho de 2019

Amplitude - Marah Mends


Amplitude

De um horizonte a outro há uma perspectiva linear. A temeridade no entorno é inextricável, para não dizer, apreciada, licenciada, propositada.
Na cavidade de cada elemento neutro ou exposto, eis um ponto focal chamado ser humano. Ano após ano, todo sentimento declarado insano, entra em parafuso com organismos outros. Quem demanda mais? O cérebro ou o coração? Pra que demandas quando não se sabe calcular intersecção?
É na linha invisível que está a melhor ou pior parte da linha paralela. Quem olha de longe vê, mas quem de perto olha, enxerga que o prato vazio enverga no estômago da miséria. Quem são os miseráveis a traçar a linha diagonal até você? É tão miserável quanto? Somos?
Mesmo dividindo em partes iguais, o resultado foi diferente individualmente, a matemática não mente: nunca fomos iguais. Apenas pedaços de amplitude.

Marah Mends


Boletim Poesia é da hora com texto poético de Tamires Frasson


Salve, salve...
Dominguera é dia de boletim Poesia é da hora. Convido vocês a sintonizar a rádio Cantareira FM que terá o texto poético da escritora Tamires Frasson, autora do livro Das inconformidades do cotidiano.
Bora?
Até lá...

77ª edição do sarau Poesia é da hora - C.A Belém (Julho 2019)



Salvê.

Dia 20 de julho, sabadão, vai rolar o septuagésimo sarau Poesia é da hora, no Centro de Acolhida Aparecida, bairro Alto da Mooca - SP. Este C.A abriga 150 mulheres e 70 crianças brasileiras e estrangeiras em situação de vulnerabilidade social. A ideia do sarau é interagir com arte, trocar, papear, abraçar, ouvir, falar, absorver, observar...
Nessa edição teremos a interação especial dos camaradas de longa data, o coletivo Poetas do Tietê e microfone aberto pra quem quiser chegar e participar das atividades.
Quem puder encostar com livros, principalmente para crianças, será importante.
O sarau Poesia é da hora vai das 14h às 16h.

Organização: Poesia é da hora (Henrique Ramos, Marah Mends, Nicanor Jacinto.
Contato: poesiaedahora@gmail.com

segunda-feira, 24 de junho de 2019

Transmissão de repertórios


Transmissão de repertórios

O termômetro marca seis graus. É um frio de arrepiar a carcaça parça, pobre de quem dorme na calçada, ainda é madrugada. Duas ou três horas da matina, talvez. A geada chegou e a neblina descarregou gotas no vidro liso. Gotas apostam corrida entre elas até a base da janela. É bonito vê-las escorregarem às vezes retas às vezes pela paralela. As gotas não petrificaram com o frio que faz lá fora.
Na zona de conforto da janela pra cá é a zona de confronto quem observa o tempo, o pobre, a geada, a neblina, as gotas e a corrida. A bendita fumaça fria que da sua boca sai aflita, flutua sob a superfície plana do papel com um texto inacabado, riscado, largado, borrado de vinho tinto. A porta invertida está ali em formato horizontal indefinido. Alguém sabe como é formada as sombras nos objetos? Há correlação na horizontalidade e nas sombras?
Podia ser só insônia, mas era mais uma mente irrequieta, ligadaça na madruga, subdividida entre refletir para além do ambiente de conforto ou observar o corpo ao lado, saciado a dormir de boca aberta.
Ademais, através de um incentivo indireto involuntário, descentralizou a operacionalidade da reflexão quando o corpo ao lado, agora de boca fechada, entrelaçou-se ao seu. O vidro embaçou nessa transmissão de repertórios. 

segunda-feira, 17 de junho de 2019

Do tamanho de um punho fechado - Marah Mends


Proferiram sobre a erraticidade em deixar o coração em modo de ingovernabilidade alheia. Má vá...
O coração não é só um músculo que bombeia o sangue para o corpo todo? Então por que raios essa atribuição com trocentos encargos taxados de sentimentos rasos? Se o sentir não sai nem vai para o coração, para onde vai e de onde sai então? Ingovernabilidade!
Corpo: consistência. O todo de um corpo com sentimento: consentimento. Corpos ocos ou inteiros interlaçados feito rede: rede que dorme, rede que pesca, rede em que navega. O botão “função” é a gente que aperta ou desde a gênese há indução nessa rede de “conexão por afinidade”? Será que a (in)tangibilidade interconecta-se mais com a teoria ou com a ação? E o que isso importa? O que tem a ver com o coração?
Os processos formativos não tomam cerveja! Como relaxar em frente aos processos que não enxergam ouro em suco de cevada? Enfrente! Os processos foram criados para raciocinar a citação longa justificada com o recuo esquerdo de quatro centímetros. Deixe que pensem... função.
Há sinal de oxidação nesse cérebro-sentimento-coração. Nesse encargo que sucede, a insânia é a parça da brisa poética. Quem lê segura a mão de quem escreve, procede? O coração é do tamanho de um punho fechado para o alto.
Marah Mends