Canal Poesia é da hora

Canal Poesia é da hora
Dias de luta!

quinta-feira, 6 de agosto de 2020

Marcelo Miranda - Poesia Salva


Ton Boa Vida e seu cavaco


Marah Mends - Podcast No trem do Tempo


Rayssa Silva - Boletim Poesia é da hora




Romeyka Pereira - Boletim Poesia é da hora


Sociedade dos laços livre -Marah Mends


Luaa - Boletim Poesia é da hora


Lilian Rocha - Boletim Poesia é da hora


Boletim Poesia é da hora todo domingo na rádio Cantareira FM


quinta-feira, 16 de julho de 2020

Polaridade - Marah Mends




Polaridade

Segundo a meteorologia hoje vai chover. Chuva de linguagens múltiplas, multicêntrica. Aguaceiro que arrasta da barraca da feira para o chão, o alimento que gira, gira, gira e como bola certeira na caçapa é ensacolado por mãos coletoras de sobras de fim de feira.

É a chuva das assimetrias sociais que molham os olhos da gente insistentemente em contato com o que fizemos do mundo  nessa marcha voluntária para antipatia e derrota. 

A chuva no telhado do barraco tem pinga, pinga, pinga e baldes por todos os lados.

Nas mansões os patrões em chuva ácida roubam até o auxílio emergencial dos que apanham o alimento no final da feira e moram nos barracos com os tetos furados. 

A chuva de gafanhoto poderia ter endereço certeiro como uma ema ou uma naja e devastar apenas quem acumulou riquezas às custas da dignidade pacífica, alheia. 

É madrugada e vai ter chuva de meteoro. De cima da laje dá pra ver a luz que corta o céu, a noite e a insustentável sensação de uma coexistência que grita silenciosamente ao olhar estrelas. 

Marah Mends.

Vídeo poesia de Marcelo Miranda da Cruz


terça-feira, 14 de julho de 2020

Rennata Belletarde no sarau Poesia é da hora 2020


Mano T MC no sarau Poesia é da hora julho 2020


Washington Reis no sarau Poesia é da hora julho 2020


Sarau Poesia é da hora de julho 2020


Adílson Guimarães
Fábio Alves

Sarau Poesia é da hora julho 2020

Ana dos Santos
Otávio Alexandre
Rennatta Belletarde
Henrique Ramos
Sabrina Carvalho

Sarau Poesia é da hora julho 2020


Patrícia Pantaleão 
Washington Reis
Ana Paula
Ton Boa Vida
Cícero
Mário

Nicanor Jacinto no sarau Poesia é da hora de julho


sexta-feira, 3 de julho de 2020

87ª edição do sarau Poesia é da hora (julho 2020)



Salveeeeee.

Dia 11/07, sábado às 15h, vai rolar a octagésima sétima edição do sarau mais lindo, gostoso e cheiroso de toda a cidade. Pela terceira vez virtualmente e não ao vivo, mas presente e resistente em tempos de pandemia.

Sarau Poesia é da hora é nois mesmo!

Valeu, até sábado!

Canal Poesia é da hora:


Sarau do Bloco do fuá em julho



sexta-feira, 19 de junho de 2020

quarta-feira, 3 de junho de 2020

Sociedade dos excessos - Marah Mends




Sociedade dos excessos

Verbalizou anseios no quintal do mundo inóspito. Todos estão sós, então, todo cuidado é pouco para não ser refém daquilo que deixou no chão para tropeçar. Em que estado esteve? Em estado de alma decorrente!
Desmecanizar-se pode até levar décadas, mas o primeiro passo já é um caminho desfragmentador. 
Os fragmentos do real confrontados contra vistas míopes, atrapalhou no processo de evolução nesta perspectiva de análise. 
Vozes controversas perpassam. Elas são tudo o que sobra. Elas são tudo o que me sobra.

Marah Mends

quarta-feira, 27 de maio de 2020

Boletim Poesia é da hora - Texto poético: Larissa Gonçalves


Periclitará - Marah Mends




Periclitará

Vivia na borda dos outros dentro da instituição da calamidade pública. Demonstrar a unidade da humildade era proibido por lá. Gostava de dicionarizar no primeiro contato visual, as eufonias eram as suas prediletas. Julgava-se inalienável, mas era nas tecladas involuntárias que revelava todo o seu poder de exclusão de si. Quem era, afinal? 

Presentificava a família, os amigos, a sociedade, a instituição da calamidade pública, porém, consigo, era só diarréia, disfunção e tecladas involuntárias.

Ainda há tempo para realçar a própria dignidade nesse frontispício malgrado?

Entre zurros e pinotes mordazes, recusou-se a aprender uma nova lição. 

Marah Mends🌹

Canal Poesia é da hora:


quinta-feira, 7 de maio de 2020

Canal Poesia é da hora - YouTube


O canal Poesia é da hora foi criado para guardar, registrar, materializar, eternizar, divulgar, compartilhar nossas inúmeras ações culturais, sociais, artísticas, filmadas desde 2013, de maneira independente, até hoje. 

Atuamos com um sarau mensal em São Paulo, capital, mas há registros de nossas atividades em outras cidades como de São Paulo como: Arujá, Osasco, Mauá, Santo André, Itanhaém e São Bernardo do Campo e uma edição em Paraty -RJ. 

Aqui você vai encontrar:

O povo de rua recitando poesias
Poetas da periferia
Escritoras e escritores lançando livro
Inúmeros saraus
Vídeo-poesia
Manifestações populares
Campanhas sociais
Trechos de livros
Pedido de casamento
Homenagens
Mulheragens
Abraços e choros
Sorrisos e aprendizagens.

Aqui é nois por nois, não só pela arte, mas pela empatia, respeito aos artistas independentes e principalmente, o amor.

Quer fortalecer?

Faça uma visita, deixe o seu comentário:

https://www.youtube.com/channel/UClIdcTxp-d9AO5SWMZ4isJQ/


Outros contatos: 

Facebook: Poesia é da hora
Youtube: Poesia é da hora


Boletim Poesia é da hora - Renata Tupinambá


Boletim Poesia é da hora - Inês Santos


sábado, 2 de maio de 2020

Pouco virtuoso - Marah Mends


Pouco virtuoso
no campo das ideias
tentou fixar ficção
no terreno baldio
de um coração
com dificuldade
para trabalhar
individualidade
no convívio social.
Desistiu, óbvio!
Se fosse poeta
ficaria mais um pouco.

Marah Mendsmarahmends@gmail.com  

Delinquência - Marah Mends


Ela tinha propensão a delinquência... Mentira! Só não era compreendida. Sobreviveu. Já passou. 

Marah Mends
marahmends@gmail.com

Boletim Poesia é da hora - 03 de maio


Pandemia - Marah Mends


Redescobriu as fases da evolução que havia esquecido no decorrer do emaranhado da vida. Pandemia. Marah Mends marahmends@gmail.com

segunda-feira, 20 de abril de 2020

Pormenorizado - Marah Mends











Pormenorizado

Ao deitar-se, teve um declínio cognitivo leve, não lembrava se havia escovado os dentes. Como saiu do banheiro e deitou na cama mesmo? Saiu? Deitou? Plunct plact zum, um pedaço da memória  em lugar nenhum. Salve, Raul! 
É ruim um declínio cognitivo leve, mas poderia ser pior, como não lembrar de tomar a pílula para estar de pé na manhã seguinte. Pílula para acordar, pílula para desencanar, pensar, dormir, pílulas… que nem sempre são em formatos de pílulas, já que cada um reinventa a sua.

Ao puxar o eixo cronológico somado a sua identidade, lembrou-se de quando combinou, em seu quarto, com as energias do universo, que um dos sinais de que o seu tempo neste caleidoscópio de emoções estivesse perto, era quando começasse a esquecer da coisas. porque foi exatamente assim com seus ancestrais mais próximos: o declínio cognitivo leve.

O semblante ainda estava atônito ao fechar os olhos, precisava acalmar o peito e relaxar o mosaico de elementos físicos e psíquicos, senão, acordaria com olheiras. Acordaria? Ainda sonhava? Ainda acreditava? Quando deixou de experimentar o mundo através dos sentidos? Dói só passar por ele? 
Finalmente descansou as pálpebras, os sentidos, o declínio cognitivo e flutuou  na liminar da inexistência.

Marah Mends

quinta-feira, 9 de abril de 2020

Garantia territorial (narrada) Marah Mends




Garantia territorial - Marah Mends



Garantia territorial

Desaconselhou a sair de casa, mas a sua presença era indispensável. Na verdade, era um alívio poder sair, mas só dizia para si! 
Durante o caminho, ônibus cheio mesmo depois de todos os alertas, as frotas reduziram, claro que ia dar nisso. Evitou sair de branco, toda confusão evitada era lucro. Ao entorno, ideias retrógradas, gente de caráter mecanicista e uma garota que falava saudosa sobre a sua avó, parecia ser recente. Doze horas de trampo focado a aguardam e, em sua profissão, não podia falhar, atenção redobrada em época de pandemia. 
Meia hora para um almoço atribulado e no intervalo entre uma garfada e outra, olhava para a tela falante do refeitório. O capataz ainda está a solta pronunciando-se sobre o tema com o seu profundo desconhecimento de causa. Ele deveria estar aqui e ver com seus próprios olhos como tudo acontece, pensou. Não tinha tempo pra ter raiva ou xingar, então, só lhe restava agir e salvar vidas, mas aquele incômodo perdurava.

De volta para casa, a cinco metros do portão, estava implícito em seu sorriso que, apesar de tudo, ainda preferia estar na desordem do mundo social, do que ter que encarar a desordem do mundo pessoal.

A sombra de um homem a aguardava no portão, como todas as outras vezes.

Marah Mends

Boletim Poesia é da hora no domingo de Páscoa


segunda-feira, 6 de abril de 2020

Pensamento tridimensional - Marah Mends



Pensamento tridimensional.

Salpicou impetuosidade sobre o ambiente antagônico e aguardou a represália. Os projéteis em deformidade vinham de ambos, uma lambança atrás da outra, sem direito a escapatória. 
Onde está o ponto de equilíbrio? Quem começou a apontar o lápis antes da escrita rasgar a folha? 
Expoente da contravenção, conflagrou conjunturas de uma cotidianidade arruinada desde o princípio. Em vão buscou por elucidação, tudo em sua volta era degredo e abdicação da verdade adversa. 
Continuou a salpicar impetuosidade sobre o ambiente antagônico e, foi assim, a sua passagem pelo mundo.



sexta-feira, 27 de março de 2020

Se puder, fique em casa!

Roche lança kits para detecção do novo coronavírus

Sabotage - Um bom lugar. Biografia oficial de Mauro Mateus dos Santos. Toni C.


Sabotage - Um bom lugar.
Biografia oficial de Mauro Mateus dos Santos.
Toni C. Literarua. 2015. 344 p.

Projeto gráfico du bom!

Registros, pesquisas, depoimentos, documentos, rascunhos e fotos reunidas em 14 capítulos, no período de 1973 até 2013. Antes, durante e dez anos depois do assassinato do Sabota, o Mauro Mateus, Maurinho ou simplesmente o maestro do Canão. Nasceu em 03/04/1973 e foi assassinado em 24/01/2003 com 4 tiros, na Av. Abraão de Morais, 1877, bairro da Saúde, próximo ao Shopping Plaza Sul. Morreu no Hospital São Paulo, mesmo hospital em que nasceu. Filho de Júlio Alves, catador de material reciclável e sérios problemas com alcoolismo, não o criou. Filho de Ivonete Mateus, empregada doméstica, mãe de três filhos, criou-os sozinha. Irmão de Paulino que, com o tempo, teve sérios problemas psicológicos e irmão de Deda, seu parceiro musical, sonhava em formar um grupo de rap com o irmão, mas Deda passou muito tempo trancafiado no Carandiru e Sabota visitava-o religiosamente. Meses depois depois a sua liberdade decretada, Deda foi assassinado com 13 tiros na Cidade Tiradentes. Sabota pensou em desistir da música. Companheiro de Maria Dalva, conheceu quando eram crianças, namoraram na adolescência e se juntaram. Ficaram juntos até a morte de Sabota. Pai de Wanderson, Tamires, filhos de Dalva. Pai de Larissa, filha que teve fora da união com Dalva. 
Quando Wanderson nasceu, Sabota estava no ensaio da Vai Vai e Dalva passou um grande perrengue. Sabota disse arrependido por deixar a mulher sozinha no momento que ela tanto precisou. Acompanhou o nascimento de Tamires. 
No decorrer da vida, tomou diversas abordagens policiais, mas em uma delas, o PM quebrou seu dente da frente, a janelinha virou sua marca registrada.
Aos 19 anos, o baque com a perda da mãe, Ivonete. Ela tinha um marca passo no peito, sentia muita dor e o corpo rejeitou o aparelho. Não tinha dinheiro nem pro enterro da velhinha.
As ameaças de reintegração de posse na favela quando Paulo Maluf assumiu a prefeitura de São Paulo para a construção da Av. Águas Espraiadas (depois reintegrou em partes.  Sabota e família foram parar na Favela do Boqueirão, Saúde), na mesma época que Dalva estava grávida de Wanderson, seu primeiro filho. Imagina o corre! 
Sabota sempre trampou desde de pequeno, era astuto, esperto, bom de lábia. Fazia uns bicos na feira livre montando e desmontando barracas, mas a grana era curta, ele e sua família passavam muitas necessidades. Foi em meio a este cenário que a filha Tamires nasceu. Botar a mão no ferro e vender droga foi a solução mais eficaz para sair daquele buraco cheio de injustiças sociais e falta de oportunidade. Seus tios já eram envolvidos, entrar foi fácil. 
Tinha amigos e inimigos no movimento. Deixou sem resolver uma desavença do passado. A desavença o encontrou fatalmente, anos, depois. Sabota virou o gerente da boca, terminou a oitava série aos 22 anos e seus primeiros raps foram escritos nos cadernos da escola. Gostava de rap, era bom de rima e seu sonho era cantar. Se envolveu profundamente no movimento musical e conheceu Rappin Hood, RZO, Chorão, Racionais. O negócio da música fluiu aos poucos. Era incentivado pelo manos do tráfico a largar essa vida e seguir na música. Futuramente foi capa da revista Rap Brasil, participou do filme Invasor junto com Paulo Miklos do Titãs, recolocou o dente da frente aos 29 anos porque a molecada da favela queria quebrar o dente para ficar parecido com ele, influência na quebra toda. Era muito generoso especialmente com o pessoal da Favela do Canão que o conhecia desde menino. Gostava de dar entrevistas dentro da favela rodeado da molecada do Canão. Participou de diversos showmícios para políticos da esquerda e nutria simpatia por Lula. 
A participação e influência sabotástica nas gravações do filme Carandiru. Sabota praticamente refez/corrigiu o roteiro das falas dos personagens do filme, pois nem o diretor, nem os atores boy entendiam na prática sobre os dialetos da quebrada, penitenciária e aquilo tudo tava meio quadrado pra relatar sobre a maior penitenciária da América Latina. Sabota adaptou o roteiro lado a lado com diretor da película e ainda envolveu um monte de mano da favela nas figurações do longa. Eis a nobreza dos grandes, subir e levar a renca toda junto! 
Tem uma parte do livro que é bem engraçada, mesmo quando a grana começou a brotar, Sabota ainda tinha o hábito de sair com os manos e todo mundo pulava a catraca do busão depois dele jogar uma ideia no cobrador. Perguntado sobre isso ele disse que alguns hábitos não podiam mudar. 
Depois, a participação no programa Altas Horas (tem o vídeo no YouTube, é engraçada a cara dos boy quando Sabota começa a rimar), a parceria com o Dj Hadji, (agora Dj em parceria com a Karol Conká). Os prêmios Hutúz, participações no VWB na MTV, os shows nos Sescs, o assassinato e a lenda que se tornou. 
Sabote quebrou vários paradigmas ao misturar o rap com samba, entre outros ritmos, ouvir e declarar que era fã das músicas da Sandy, (imagina um rapper dizer que isso!), ser sorridente e bom-vivã, porque os mano do rap levavam, e talvez ainda levem à risca, essa parada de o gângster, o mauzão, cara fechada, “não falo com você”, “não participo de programas de tv”. Sabota, pelo que é relatado, era mente aberta pra caralho! Todos queriam estar ao lado dele porque além dele ter “a malandragem” na veia de seguir sem pilantragem com os seus e com o entorno, unia pessoas com seu jeito simples, abafava intrigas, chamava pra dialogar e sorria, apesar de todo veneno ele sorria! Sei lá, o cara é um mago, um louco, um ser muito a frente do seu tempo. Por isso tá vivão depois de tanto tempo. Máximo respeito e respeito é pra quem tem!  Um bom lugar se constrói com humildade. 
Foi enterrado no cemitério Campo Grande, bloco 18 e em sua lápide está escrito: O rap é compromisso. Quase dois anos depois do assassinato, prenderam Sirlei Menezes Silva, conhecido como Derlei na cidade de Suzano. Ele confessou o crime, depois negou alegando estar sob tortura. Ao que tudo indica, ainda está preso. Talvez ele tenha sido a desavença que Sabota não resolveu no passado.
Dalva e os filhos Wanderson e Tamires ainda moram no Canão, com as mesmas dificuldades de antes.